Quinta-feira, 20 de julho de 2017

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14/07/2017 - 09h00 / Atualizada 14/07/2017 - 09h18



Documentário retrata resistência em acampamento do MST


Vídeo-documentário é resultado de projeto de extensão do curso de Jornalismo da UEPG, com relato dos camponeses sobre o dia da ocupação do Assentamento Maria Rosa do Contestado


por Assessoria de Imprensa

A Agência de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promoveu, no sábado (8), o lançamento do documentário “Doze meses de resistência: a terra como horizonte de vida”, que retrata um ano de ocupação do Acampamento Maria Rosa do Contestado, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Fazenda Capão do Cipó, em Castro, município da região dos Campos Gerais. 

O lançamento ocorreu no próprio acampamento, durante a festa junina da comunidade Maria Rosa do Contestado. O documentário de 46 minutos é resultado do trabalho da Agência de Jornalismo, programa de extensão do curso de Jornalismo da UEPG, que mantém a parceria com várias  entidades, grupos e movimentos sociais populares, entre elas as comunidades do MST na região, em ações diversas de comunicação e jornalismo. 

Com produção e edição pelo estudante de Jornalismo, Gabriel Ferreira Clarindo Neto, e orientação da professora e coordenadora da Agência de Jornalismo, Hebe Gonçalves, o trabalho foi iniciado em maio do ano passado, com a apresentação de uma prévia à comunidade em 24 de agosto, no aniversário de um ano do Acampamento Maria Rosa do Contestado.

O documentário constitui-se do relato de camponeses e camponesas sobre o dia da ocupação do Maria Rosa, o cotidiano, a luta pela terra, as conquistas, como a geração de trabalho e renda e o cultivo de alimentos a partir da agroecologia como horizonte de vida. “Tentamos registrar, a partir do depoimento dos acampados, o sentido e importância da luta pela terra e as mudanças em suas vidas em um ano de ocupação através do MST”, disse a professora Hebe.

“Produzir o documentário foi uma experiência muito rica, um aprendizado. Um trabalho que fiz com muito amor”, disse Gabriel Clarindo durante o lançamento. Para uso da música “Canção da Terra” como trilha sonora do documentário, Agência de Jornalismo obteve autorização gratuita do próprio cantor e compositor gaúcho Pedro Munhoz e da Som Livre 100% Edições Musicais. 

Para o integrante do MST Joabe Mendes de Oliveira, o video-documentário possibilita mostrar o projeto do movimento voltado à agricultura orgânica no País: “O vídeo é um meio de expor o projeto que, de fato, a gente está construindo. Através do Acampamento Maria Rosa, a gente quer que todos os acampamentos do Paraná se transformem numa grande matriz tecnológica agroecológica, de produção orgânica, para fazermos o contraponto a esse modelo colocado aí. O projeto de monocultivo implantado no país hoje não viabiliza a pequena propriedade, não gera renda, não gera emprego, destrói a biodiversidade, acaba com os recursos naturais, acaba com a matéria-prima de nosso país, expulsa camponeses e camponesas de suas terras – os índios, quilombolas e comunidades tradicionais – com único objetivo de acumular lucro e capital para sustentar os países da Europa, que possuem um alto padrão de consumo muito mais elevado que os países da América Latina”. Joabe de Oliveira destacou ainda: “Estamos fazendo o contraponto, dizendo que queremos usar essas terras para produzir comida saudável e barata, direto para mesa do consumidor. Através desse vídeo, podemos mostrar a importância da agricultura orgânica no nosso país hoje”.

Integrante do Acampamento Maria Rosa, Rosane Mainardes também destacou a importância do vídeo para o registro histórico da comunidade: “Foi muito gratificante ver e ouvir um pouco das histórias das famílias e as formas que elas chegaram ao acampamento. Ver os olhares delas de felicidade e de grandes conquistas. Ver a importância que elas falavam do alimento sem agrotóxico e a diferença que o Movimento Sem Terra teve em suas vidas. Esse filme resgata a importância da reforma agraria”. 

A produção de “Doze meses de resistência: a terra como horizonte de vida” o contou com o apoio dos estudantes de Jornalismo, Carine Cruz e Felipe Prates, de Geografia, Rodrimar Paes, e do professor do Departamento de Jornalismo, Sérgio Luiz Gadini. O documentário está disponível nas páginas da Agência de Jornalismo nas redes sociais https://www.youtube.com/watch?v=6WcTMx4a-N4 e https://www.facebook.com/AgenciaJornalismoUepg/ e também será veiculado na TV Comunitária de Ponta Grossa (TVCom, canal 17, no cabo). Durante o lançamento, foram entregues 20 cópias físicas em formato DV para a comunidade Maria Rosa do Contestado.

A ocupação – Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, às 5h da manhã de uma segunda-feira, em 24 de agosto de 2015, a Fazenda Capão Cipó, onde estava instalada a Fundação ABC, voltada a pesquisas agropecuárias para as Cooperativas Capal (Arapoti), Batavo e Castrolanda, na região dos Campos Gerais, no Paraná. Cerca de 150 famílias, entre homens, mulheres e crianças, ocuparam a fazenda situada a sete quilômetros de Castro.

As terras onde estava instalada a Fundação ABC são de propriedade da União, que, desde 30 de abril de 2014, aguardava a reintegração de posse. Isto é, através de medida liminar, a União pedira à Fundação ABC deixar as terras, por ter encerrado período de comodato, segundo o MST. A Fazenda Capão Cipó possui cerca de 300 hectares de área. As famílias sem terra vieram dos municípios de Castro, Lapa, Teixeira Soares, Ipiranga e Ponta Grossa e construíram no local o Acampamento Maria Rosa do Contestado. 

Texto: Agência de Jornalismo UEPG

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