Sábado, 25 de novembro de 2017

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31/08/2017 - 17h15 / Atualizada 31/08/2017 - 18h21



Equipe de pesquisa da UEPG descobre novo planeta


O diretor do Observatório Astronômico e professor do Departamento de Geociências da UEPG, Marcelo Emilio integra a equipe de cientistas que registra a descoberta do novo astro


por Assessoria de Imprensa

Representação artística do planeta CoRoT ID 223977153-b. (Créditos Agência OPAH)

Sete cientistas brasileiros divulgam a descoberta de um novo planeta localizado na direção da constelação de Monoceros - e distante cerca de 1200 anos-luz (um ano luz equivale’ a cerca de 9,5 quadrilhões de metros). O diretor do Observatório Astronômico e professor do Departamento de Geociências da UEPG, Marcelo Emilio, integrante da equipe de cientistas, registra que o trabalho sobre o novo astro foi aceito na prestigiada revista britânica Monthly Notices of The Royal Astronomical Society. Além do professor da UEPG, participam da descoberta, o ex-aluno do curso de licenciatura em Física da UEPG, Rodrigo C. Boufleur (ON), e o aluno pós-doc, Laerte Andrade, mais pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Observatório Nacional do Rio de Janeiro (ON) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O diretor do Observatório Astronômico relata que o planeta descoberto possuiu o tamanho aproximado de Saturno, mas com metade de sua massa. “É um corpo celeste gasoso, a exemplo de Júpiter em nosso sistema solar”, diz o cientista, acrescentando que “o planeta orbita uma estrela parecida com o Sol: sua massa é 8% maior, seu raio 21% menor e sua temperatura 200°C mais quente”. Marcelo Emílio pontua que essas medidas indicam que a densidade do planeta é menor que a densidade da água. Para exemplificar, registra que, se existisse um oceano grande suficiente para conter o planeta, ele flutuaria. Mas diz que, entretanto, são necessárias mais observações para confirmar a medida da densidade.

 Outros Aspectos

 Marcelo Emílio observa que a órbita do planeta é muito próxima da estrela. “A distância entre eles é cinco vezes menor que a de Mercúrio ao Sol, o que o torna muito quente. Estimamos que a temperatura do planeta esteja em torno de 1100° Ce, e que possua ventos de milhares de quilômetros por hora”,  explica Marcelo Emílio. O professor orientou a tese de doutoramento (em Astronomia) de Rodrigo Carlos Boufleur, defendida no ON, em 28 de agosto (segunda-feira), e que deu origem ao trabalho científico. Sobre a técnica “trânsito planetário” utilizada para encontrar o planeta, o professor da UEPG assinala que é semelhante ao fenômeno dos trânsitos de Mercúrio e Vênus em frente do Sol.

O cientista cita que, nesse aspecto, observa-se a diminuição do brilho da estrela pelo fato do planeta ter passado em frente à estrela. Para fazer a medida foram analisadas observações feitas pelo satélite CoRoT (Convection Rotation and planetary Transits), segundo ele. Marcelo Emílio ressalta que esse satélite foi construído e operado pela Agência Espacial Francesa, pela Agência Espacial Europeia e pelo Brasil. Para a confirmação da existência do planeta utilizou-se a técnica de espectroscopia com um dos melhores instrumentos para esse propósito chamado HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), localizado em La Silla, Chile.

 De acordo com o professor Marcelo, outros dois planetas do tamanho de Júpiter também foram encontrados no mesmo trabalho. Entretanto, necessitam de mais observações para que seja possível determinar melhor suas massas. “A descoberta de novos mundos é um dos campos mais interessantes e promissores na área da astronomia. O número de planetas descobertos ainda é pequeno em relação ao que deve existir em nossa Galáxia. Mais descobertas são necessárias para que entendermos como sistemas solares são formados. Seria o nosso sistema solar uma exceção? Em nosso sistema solar planetas gigantes e gasosos estão distantes do Sol. No entanto planetas gasosos são encontrados em grande número perto de suas estrelas mães em outros sistemas”.

Marcelo Emílio ainda destaca a importância dessa descoberta para a UEPG, que tem proposta de criação do curso de bacharelado em Astronomia. “Hoje a UEPG conta com uma projeção significativa nesta área, pela realização de eventos nacionais que envolveram a Sociedade Brasileira de Astronomia e entidades internacionais deste segmento da ciência, trazendo a Ponta Grossa cientistas renomados mundialmente”, comenta. O professor adianta que, ainda este ano, deverá anunciar novas conquistas que vão dar maior suporte a esse objetivo de ter na instituição um curso para a formação de astrônomos.

Os autores do artigo sobre o novo planeta são Rodrigo C. Boufleur (ON), Marcelo Emilio (UEPG), Eduardo Janot Pacheco (IAG/USP), Laerte Andrade (UEPG), Sylvio Ferraz-Mello (IAG/USP), José Dias do Nascimento Júnior (UFRN), J. Ramiro de La Reza (ON).

 Link para o artigo na página da revista: https://doi.org/10.1093/mnras/stx2187.

Site do satélite CoRoT: https://corot.cnes.fr/en/COROT/GP_satellite.htm

Videos e animações do satélite CoRot: https://corot.cnes.fr/en/COROT/A_gallerie.htm

http://sci.esa.int/corot/31120-/?farchive_objecttypeid=18,19,22&farchive_objectid=30912&fareaid_2=39

Site do espectrógrafo HARPS (ESO): http://www.eso.org/sci/facilities/lasilla/instruments/harps.html

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