Sábado, 25 de novembro de 2017

« voltar

01/09/2017 - 16h04 / Atualizada 01/09/2017 - 16h15



Pesquisador explica descoberta de novo planeta


A descoberta do novo planeta é o ponto alto da tese de doutorado “Detecção de Exoplanetas em Curvas de Luz Cromática do CoRoT (Convention Rotation and Planetary Transit), de Rodrigo Carlos Boufleur


por Marilia Woiciechowski

Professor Marcelo Emílio, diretor dfo Observatório Astronômico da UEPG, Rodrigo Carlos Boufleur e Laerte de Andrade, integrantes da equipe que descobriu novo planeta

Representação artística do planeta CoRoT ID 223977153-b. (Créditos Agência OPAH)

Com orientação do professor doutor Marcelo Emílio, diretor do Observatório Astronômico da UEPG, Rodrigo Carlos Boufleur realizou pesquisas que têm registro na tese de doutorado “Detecção de Exoplanetas em Curvas de Luz Cromática do CoRoT (Convention Rotation and Planetary Transit), que resultou na descoberta de um novo planeta localizado na direção da constelação de Monoceros - e distante cerca de 1200 anos-luz (um ano luz equivale’ a cerca de 9,5 quadrilhões de metros). A descoberta do novo astro tem a participação de pesquisadores da UEPG, Universidade de São Paulo (USP), Observatório Nacional do Rio de Janeiro (ON) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O resultado das pesquisas do novo planeta que possuiu o tamanho aproximado de Saturno, mas com metade de sua massa, como observa o cientista Marcelo Emilio, foi publicado na prestigiada revista britânica Monthly Notices of The Royal Astronomical Society. Além dos pesquisadores Marcelo Emílio e Rodrigo Boufler, assinam o artigo Eduardo Janot Pacheco (IAG/USP), Laerte Andrade (UEPG), Sylvio Ferraz-Mello (IAG/USP), José Dias do Nascimento Júnior (UFRN), J. Ramiro de La Reza (ON). Com defesa da tese de doutorado no ON, em 28 de agosto de 2917, Rodrigo Boufleur relata que a descoberta do novo planeta é o ponto alto da tese. “Nós havíamos proposto para a tese justamente a procura por planetas aplicando e desenvolvendo técnicas numéricas.

Projeto Brasileiro

Para esta busca, segundo Rodrigo, desenvolveu-se um algoritmo que corrige parte do ruído nos dados espaciais – o que facilita a detecção de planetas. “Nós estudamos 65.655 estrelas”, diz, ao salientar que com a aplicação da técnica e, na sequencia, na busca encontraram todos os planetas da missão (CoRoT). “Redescobrimos os planetas já conhecidos – e dezenas de outros candidatos a planetas”. Sobre os planetas candidatos, Rodrigo ressalta que é preciso a detecção de um trânsito (evento que se caracteriza por uma ligeira diminuição do brilho da estrela durante a travessia do planeta pelo disco estelar em direção ao observador), para se conhecer a natureza do companheiro orbital. A caracterização de sua massa feita, em geral, com medidas espectroscópicas, segundo Rodrigo.

Sobre como é batizado o novo planeta, o pesquisador diz que o astro descoberto recebe o nome da missão, número da descoberta e uma letra representando a ordem do planeta no sistema planetário. Para Boufleur, o momento difícil da pesquisa refere-se a se ter muitos candidatos a planeta e não se ter dados espectroscópicos para confirmar a natureza dos candidatos. “Os dados espectroscópicos são tipos de medidas muito sensíveis – e há poucos telescópios no mundo capazes de realizar as medidas. Trata-se de telescópios concorridos para se ter tempo observacional”. Apesar dos momentos difíceis, Rodrigo registra que o resultado do projeto (a descoberta do planeta) é de satisfação. “Foi um projeto que teve início, meio e fim no Brasil. É inteiramente brasileiro”.

Resposta Inspiradora

Graduado na Licenciatura em Física da UEPG, Rodrigo ressalta a satisfação em dizer que o resultado da pesquisa mostra a competência da ciência brasileira. “Para mim, é o senso de dever cumprido – e respeito em relação ao investimento público feito no projeto. É um planeta confirmado”. Diz que os envolvidos com a pesquisa exteriorizam satisfação porque a descoberta de um planeta em si era improvável. “Foi uma busca e a resposta é compensadora e inspiradora”.

O pesquisador recorda que esta não é primeira vez que a UEPG registra resultados de impacto nacional e internacional na área. As pesquisas no Laboratório de Astronomia produzem resultados importantes para a instituição. Com cada descoberta da astronomia, torna-se possível aprender como o nosso sistema solar se formou – de onde a gente veio e para onde a gente vai, de acordo com Boufleur. “Nós precisamos conhecer nosso planeta – observar o universo para confirmar a existência da vida fora da Terra”.

Campus Uvaranas - Av. General Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - GPS: 25°5'23"S 50°6'23"W
Campus Central - Praça Santos Andrade, 1 - GPS: 25°5'11"S 50°9'39"W
Fone: (42) 3220-3000 / 3220-3300 - Ponta Grossa - Paraná
Copyright © 1996-2017 - Núcleo de Tecnologia de Informação - UEPG