Quinta-feira, 23 de novembro de 2017

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14/11/2017 - 11h40 / Atualizada 17/11/2017 - 08h54



‘Comércio justo’ aproxima produtores e consumidores


Projeto do Laboratório de Mecanização Agrícola (LAMA) proporciona acesso dos consumidores a produtos orgânicos certificados, geração de renda a agricultores familiares e incentivo à agroecologia.


por Assessoria de Imprensa

 

 

 

Toda terça é dia de sacolas com produtos orgânicos na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde um grupo de consumidores participa do projeto ‘Comércio Justo’, cuja proposta é atender às necessidades das pessoas que buscam alimentação orgânica e saudável, a preços acessíveis, e ao mesmo tempo atender produtores familiares agroecológicos da região, por meio do auxílio na produção e comercialização a preços justos de hortaliças e frutas. Na região são 20 grupos de consumidores em 12 municípios, com até quatro famílias de produtores por grupo.

Uma das integrantes do projeto, Wania Kauana Bernardi (recém-graduada em Gestão e Empreendedorismo pela UFPR), comenta que o ‘Comércio Justo’ é vinculado ao Laboratório de Mecanização Agrícola (Lama) do curso de Agronomia da UEPG. Em atividade desde 1992, o Lama desenvolve ações de ensino, pesquisa, assistência técnica e extensão rural que enfatizam as tecnologias apropriadas à melhoria da qualidade de vida dos produtores de base familiar, considerando a preservação de recursos naturais, culturais e sociais.

O projeto ‘Comércio Justo’  teve início em 2015, com a criação do grupo de sacolas da UEPG, abastecido pelos agricultores familiares Elias Martins, de Castro, e Vilde Gomes de Oliveira, de Piraí do Sul, ambos certificados pelal Rede de Agroecologia Ecovida. O seo Vilde é proprietário de uma chácara de cinco alqueires, desde 1973. Metade da área é destinado ao plantio de hortaliças, feijão, milho e frutas. 

Em 2015 veio a oportunidade de ingressar no projeto da UEPG. A decisão trouxe benefícios, com orientação sobre a proteção e a recuperação da água e do solo, utilizando técnicas de cobertura verde, curvas de nível, com plantio de campim limão; e informações sobre a melhor época de pantio de cada produto e a comercialiação a preços justos.

Para o agricultor de Piraí do Sul, a principal vantagem do projeto da UEPG é a garantia de uma renda mensal. A média é de um ganho de R$ 1,4 mil por mês. Além do grupo da universidade, ele entrega produtos orgânicos para as prefeituras de Piraí do Sul e de Castro. Somando tudo, diz que a renda anual chega a R$ 40 mil, em média. Hoje ele conta com um espaço exclusivo para o trabalho de seleção e limpeza dos produtos que vão para os grupos de consumidores. O agricultor afirma que a origem e a qualidade são o apelo maior junto aos participantes dos grupos, além do contato direto entre produtor e consumidor.

SATISFAÇÃO

A proximidade com os produtores, presentes no local da ‘feira’, no Bloco do curso de Agronomia, no Campus Uvaranas, todas as terças-feiras, é uma das razões que levaram a dona Margarete Hass a aderir ao projeto. Ela é mãe do servidor Alan Leandro (Laboratório de Física) e diz que o filho ingressou no projeto pela oportunidade de adquirir produtos saudáveis, com certificação de orgânico. “Estou satisfeita, principalmente pela qualidade dos produtos”, afirma. Como tem cinco adultos em casa, ela se abastece toda semana. Gosta, também, das receitas sugeridas pelo projeto. “Já fiz paçoca, farofa e sopa de pinhão”.

A professora Maria Dilmara Sampaio, do Colégio Agrícola, aderiu ao projeto pela qualidade dos produtos. “Procurava produtos sem agrotóxico, pois me preocupam os problemas que podem trazer para saúde, além da questão ambiental”. Qualidade também é a motivação da professora Patrícia Boscardim, do curso de Farmácia, no projeto há um ano e meio. Ainda tem a facilidade de pegar a cesta no próprio local de trabalho. Ela também se refere ao custo, compensador em relação aos orgânicos vendidos em supermercados. “Gosto da variedade. Nos últimos meses a cesta tem vindo com mais produtos folhosos, que consumo mais”.

COMO FUNCIONA

O primeiro passo é a realização de um encontro entre a equipe do Lama, produtores e consumidores, para apresentar o projeto ‘Comércio Justo’. No encontro, procura-se resgatar conceitos básicos da produção agrícola familiar e orgânica. A partir do interesse dos consumidores, são discutidos possíveis produtos (hortaliças, frutas, etc.), dia de entrega, quantidade, preço, forma de pagamento e compromisso como o projeto.

Segundo Wania Kauana Bernardi, na discussão sobre a composição das sacolas, são considerados a sazonalidade dos produtos. O consumidor toma conhecimento do planejamento do produtor. “Assim o consumidor cria uma expectativa qualitativa dos produtos de cada época”. A quantidade (7 a 8 produtos, podendo chegar a 12) também leva em conta o período sazonal ou as condições climáticas, como ocorreu com longa estiagem registrada na região recentemente. A cada semana, ainda podem haver surpresas, com a inclusão de chás, temperos, frutas nativas, pinhão e ovos.

Dia e horário são combinados entre produtor e consumidor, excetuando-se a segunda-feira, que obrigaria os agricultores e suas famílias a trabalharem no domingo. O que não seria justo. O consumidor tem o compromisso de retirar a sacola, toda semana ou a cada quinze dias. Se quiser sair do grupo, deve avisar a coordenação com um mês de antecedência; ou arrumar outra pessoa para a sua vaga. Sacolas não retiradas dentro do horário previsto, são doadas a instituições filantrópicas.

O valor de cada sacola também é acordado entre as partes, explica Wania Kauana Bernardi. As sacolas são iguais para todos. Hoje, no grupo da UEPG o valor é de R$ 25 por semana. O pagamento é feito na primeira semana de cada mês, somando-se o número de semanas no mês, o que pode variar de R$ 100 a R$ 125 mês. Quem opta pelo consumo quinzena, varia de R$ 50 a R$ 75. Isto influi diretamente no planejamento do produtor, que recebe adiantado e, por isso mesmo, deve ter uma provisão de produtos para entrega. 

ASSISTÊNCIA

Além da comercialização, o projeto ‘Comércio Justo’ presta assistência técnica e extensão rural às famílias de agricultores. A certificação orgânica garante que o sistema de produção não usa qualquer tipo de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, organismos geneticamente modificados, reguladores de crescimento ou outros insumos nocivos à saúde. “O projeto incentiva o desenvolvimento rural sustentável, que traz ao meio rural práticas que privilegiam o uso de recursos naturais, a manutenção da biodiversidade, a conservação da natureza e qualidade de vida de produtores e consumidores.

O trabalho direto com o produtor, na sua propriedade, é uma das razões que levaram a acadêmica Rúbia Laia Ciompela de Almeida (2º ano) a ingressar no projeto, neste ano. “Além de auxiliar na gestão e organização da relação de consumidores, também ajudo no planto das hortaliças, colocando em prática conhecimentos adquiridos em sala de aula”, diz.

Os produtores têm a assistência de um agrônomo contrato pelo Lama, que aplica nas propriedades diversos projetos agroecológicos, como a recuperação de nascentes e do solo “além do projeto favorecer a saúde do consumidor que irá consumir um alimento livre de agrotóxicos, e do produtor que trabalha sem estar em contato com tais moléculas sintéticas, também traz benefícios para o ambiente através da conservação do solo, água e manutenção da biodiversidade”, conta o engenheiro agrônomo Anderson Farias.

Para Wania Kauana Bernardi, o projeto é uma proposta magnífica, pelo fato de não existir a figura do atravessador. “Proporciona um preço acessível aos consumidores por um produto de qualidade e justo para os agricultores, que tem assim uma alternativa de renda nas suas propriedades”. Ela trabalha como gestora e empreendedora, buscando a formação de novos grupos de consumidores e auxiliando os produtores na gestão das vendas.

O Lama conta com mais de 30 integrantes. Três trabalham diretamente no projeto (Wania Bernardi, Rubia Almeida e o agrônomo Anderson Farias). A coordenação é do professor Pedro Weirch Neto, do Departamento de Ciências do Solo e Engenharia Agrícola. 

GRUPOS

Atualmente o projeto ‘Comércio Justo’ registra 20 grupos de produtores em atividade, com a média de quatro famílias de produtores por grupo, localizados em vários munícipios como: Cândido de Abreu, Carambeí, Cerro Azul, Curitiba, Campo Largo, Imbaú, Ortigueira, Pinhais, Ponta Grossa , Reserva, Rio Branco do Sul e São Mateus do Sul.

A média chega a 30 sacolas por mês, em cada grupo. Com preço que varia de R$ 20,00 à R$ 25,00 por sacola, a renda mensal aproximada é de R$ 2,6 mil por grupo, valor que chega a dobrar em alguns deles. O grupo da UEPG chegou a ter 60 consumidores. Hoje conta com 35 integrantes. As sacolas são entregues todas as terças-feiras, das 11h30 às 12h30, no Bloco F, do curso de Agronomia.

Pessoas que desejarem aderir ao projeto podem entrar em contato pelo e-mail sacolasecologicas@gmail.com ou pelo telefone (42) 99926 – 6961 com Rúbia ou com a Kauana – (41) 99942-2020.

Campus Uvaranas - Av. General Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - GPS: 25°5'23"S 50°6'23"W
Campus Central - Praça Santos Andrade, 1 - GPS: 25°5'11"S 50°9'39"W
Fone: (42) 3220-3000 / 3220-3300 - Ponta Grossa - Paraná
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