Sábado, 20 de janeiro de 2018

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18/12/2017 - 09h04 / Atualizada 18/12/2017 - 10h44



Pesquisadores do Lama estabelecem relações com haitianos


O engenheiro Guilherme Pedrollo Mazer, bolsista do Programa Pananaense de Certificação de Produtos Orgânicos; e o professor doutor Jaime Alberti Gomes, de Agronomia da UEPG, estivem na região para atividades de extensão rural


por Marilia Woiciechowski

A proposta de estabelecer programas de cooperação técnico-científica, acadêmica e de extensão em ciências agrárias que faz parte de um acordo que poderá ser firmado entre a UEPG e a Universidade de Fondwa (Unif), localizada em Fondwa (Haiti), já motivou a presença de professores da instituição naquela região. O início das atividades de extensão rural no Haiti se deu no primeiro trimestre de 2017, quando o Laboratório de Mecanização Agrícola (Lama), do Departamento de Ciências do Solo e Engenharia Agrícola (Desolo) da UEPG, empreendeu uma série de atividades técnicas e de planejamento sobre desenvolvimento sustentável em Fondwa. Para tanto, o engenheiro agrônomo Guilherme Pedrollo Mazer embarcou para o Haiti em 17 de outubro e retornou em 8 de dezembro, no final da primeira fase das atividades.

Bolsista do Programa Pananaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO), fase III, Guilherme posiciona que na sua estada naquela região a preocupação foi contribuir com conhecimentos técnicos e ver a possibilidade do desenvolvimento de pesquisas em conjunto com a Unif. Para a viagem àquele país, o engenheiro teve patrocínio da Cáritas Diocesana de Ponta Grossa e da Universidade de Fondwa. Outro momento de referência refere-se ao programa de acompanhamento de proteção agroecológico desenvolvido no âmbito do PPCPO, em parceria com a Seti (Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior).

 

Desenvolvimento da Região

Para o engenheiro, o histórico de catástrofes vividas pelo país acarreta sérios problemas relativos à falta de energia e de água. Guilherme pontua que o bom nessa aproximação com a região é o contato com as pessoas. “A população é amigável, receptiva e tem uma bonita cultura de independência”. O que facilita esse começo do trabalho com alunos, professores e produtores em iniciativas colaborativas – e de missão em discutir e poder mostrar técnicas, por exemplo, de como fazer mudas para o plantio, segundo ele. Trata-se de uma ação para contribuir com conhecimento científico e técnico para o desenvolvimento sustentável da área agrícola do Haiti. O engenheiro considera nessa parceria a questão da ausência do Estado em investimentos na educação e saúde; e na carência de profissionais para trabalhar na universidade em questões como a mecanização.

A participação do engenheiro, na primeira fase, ocorreu em questões sobre produção agroecológica e legislação de produção orgânica – e organização de produtores e de consumidores (neste caso escolas e hospitais). Neste aspecto, Guilherme cita a falta de organização que há entre a produção e a comercialização. Também ressalta o grave problema da subnutrição infantil. “É preciso um acompanhamento no que se refere a produtos. Eles consomem muitos importados”, diz o engenheiro, considerando que essa opção não contempla balanço nutricional. Sobre as dificuldades no trabalho, Guilherme aponta que se trata de região montanhosa – e de difícil distribuição de terras, as propriedades são pequenas e sofrem com a dificuldade ao acesso à água. Ainda coloca que as condições levam à degradação ambiental. Mas destaca que a universidade revela em suas ações raiz sólida que precisa, nas parcerias, da troca de experiências para o uso de técnicas que contribuam para o desenvolvimento rural da região.

Ensino, Reuniões e Visitas

Para a segunda fase das atividades do Lama no Haiti, o professor Jaime Alberti Gomes embarcou para aquele país em 24 de novembro e retornou em 08 de dezembro. Nos 14 dias em que esteve em Fondwa, o professor relata que desenvolveu três atividades distintas: ensino, reuniões e visita a agricultores da região. No primeiro momento ministrou aulas sobre mecanização agrícola para pequenos produtores, e para acadêmicos dos cursos de Agronomia e Administração de Empresas da Unif, na busca de orientá-los sobre técnicas para serem aplicadas em pequenas propriedades.

O professor diz que no ensino a dificuldade foi a questão da língua e da necessidade de um tradutor. No entanto, registra que tudo ficava em ordem devido ao perfil dos alunos na relação em sala de aula. “Eram interessados, participativos e as aulas seguiam em clima positivo”. Com relação às reuniões relata que determinaram encontros com dirigentes da universidade (Reitor e coordenadores de cursos) de Agronomia, Veterinária e Administração. Na Agronomia, frisa que o trabalho principal se deu na discussão sobre currículos, ementas aplicadas nas disciplinas do curso, e a questão de estágio – e neste aspecto o desenvolvimento da extensão. Quanto à visita aos agricultores, Jaime conta que trabalhou a questão da aplicação de conhecimentos. Para o professor, não se trata de modelo pronto, mas da preocupação com troca de conhecimentos na área.

O professor frisa  que ensino se constitui na parte mais forte da sua participação na segunda fase das atividades do Lama no Haiti. Além da experiência internacional vivida, Jaime ressalta a visita como importante para fortalecer a parceria em pontos, a exemplo da mobilidade acadêmica entre a UEPG e a Unif. Também na presença de alunos e professores numa aproximação que resulte em qualificação e soma de experiências. Acrescenta que, em seu tempo no Haiti, ministrando aulas, palestras e minicursos, reconhece o valor do trabalho localmente para motivar parcerias que vão beneficiar alunos e professores das instituições envolvidas. Também menciona no período na Unif a questão da formatação de uma proposta de currículo para Agronomia para atender às necessidades da região. O professor Jaime esteve no Haiti também patrocinado pela Cáritas Diocesana de Ponta Grossa e pela Unif.

Ações, Aproximação e Convênio

O coordenador do Lama, Pedro Henrique Weirich Neto, enfatiza que as ações do Laboratório no Haiti se articula em pontos como aulas, técnicas de campo com produtores e reuniões com o pessoal da administração da Unif, na busca de discutir projetos curriculares acadêmicos e intercâmbio. O professor ainda reforça que a atividade do Lama tem a ver com compartilhar experiências e conhecimentos para o desenvolvimento do Haiti rural, no tocante ao uso correto de máquinas agrícolas e discussão da cadeia de biocombustíveis. Weirich Neto, ao tratar da batata doce que tem o Haiti como centro de origem, destaca que na região percebe-se que há um problema sério em relação às técnicas para fazer mudas. Por isso, o professor salienta a importância de estudos nessa área junto aos produtores rurais de Fondwa.

Com relação à aproximação com a região, o professor Pedro explica que surgiu no período do encontro com Ludsond Lafontant, quando, em 2014, ele chegou à UEPG para cursar o mestrado em Agronomia – área de concentração em Agricultura. Ludson defendeu, em 29 de julho de 2016, a dissertação de mestrado “Qualidade das sementes de cultivares de milho crioulas armazenadas no campo na região dos Campos Gerais”, sob orientação do professor Pedro Henrique. O professor diz que este foi um momento significativo para o encontro com o ensino superior da região e aproximação com a comunidade rural e produtores de Fondwa.

Como coordenador representante da UEPG, juntamente com o professor Carlos Hugo Rocha, do Departamento Ciências do Solo e Engenharia Agrícola, Weinrich Neto acompanha os trâmites do convênio proposto entre a UEPG e Unif, que se encontra no Escritório se Relações Internacionais (ERI) da UEPG. Os objetivos do convênio visam, por exemplo, viabilizar o acesso e o uso à infraestrutura em ambas as instituições; promover intercâmbio de pessoal docente, técnico e de estudantes em ciências agrárias; desenvolvimento de projetos de ensino e pesquisa; atender a programas e projetos extensionistas de interesse mútuo; realização de visitas técnicas; doutorado sanduíche, participação em bancas de avaliação; mobilidade discente; estágio de pós-doutorado; e participação em cursos e treinamento.

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