Sábado, 21 de julho de 2018

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20/12/2017 - 10h35 / Atualizada 20/12/2017 - 16h08



UEPG estabelece cooperação com a Fundação Planets


O acordo traz em suas linhas o empenho da Fundação Planets em ampliar parcerias internacionais e avançar metas de pesquisa e educação astrofísica de seus membros


por Marilia Woiciechowski

A pesquisa científica e as observações astronômicas conduzidas pelo professor doutor Marcelo Emílio, diretor do Observatório Astronômico da UEPG registram um importante momento com a assinatura do acordo de cooperação científica que a instituição acaba de firmar com a Fundação Planets (Kula, Havai - EUA). O acordo permite o acesso às instalações e ao Telescópio Planets que deverá iniciar as operações, em aproximadamente 18 meses. O Telescópio será utilizado para fins educacionais e de pesquisa definidos pelos membros da Fundação Planets (FP). Considerando-se as liinhas do acordo assinado entre as partes, os membros da UEPG terão acesso ao Telescópio da FP num percentual mínimo de 10% do tempo disponível para dedicar-se à pesquisa científica e às observações astronômicas na utilização cooperativa das instalações.

Para completar o Telescópio de US$ 100 mil, a UEPG deverá contribuir com capital e com 50% da contribuição que deverá ser paga à FP em três meses – e os outros 50% em dez meses. Neste aspecto, a instituição tem o apoio da Seti (Secretaria da Ciência, Teccnologia e Ensino Superior) através do Fundo Paraná. Com o acordo, a FP busca ampliar sua parceria com outras entidades internacionais e também avançar as metas de pesquisa e de educação astrofísica de seus membros. O acordo terá duração de dois anos. Os observadores patrocinados pela UEPG receberão apoio técnico e logístico durante a utilização das instalações e terão acesso na mesma base que os observadores patrocinados pela FP. Por acordo, a UEPG tem o direito do uso de sua própria instrumentalização, respeitando-se a programação determinada pela FP.

Projeto de Inovação

O astrônomo e professor do Departamento de Geociências da UEPG, Marcelo Emílio, conta que as pesquisas e observações astronômicas da instituição, hoje, reúnem alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Ainda pontua que com o acordo há a perspectiva da descoberta de novos planetas e de se estudar melhor os já conhecidos. Sobre o telescópio, Marcelo Emílio diz que é da classe de 2 metros e acerca da aranha, (suporte do espelho secundário) explica que em frente ao espelho primário está um dos principais fatores que espalham a luz na imagem. “Um telescópio fora-do-eixo minimiza o espalhamento da luz da estrela - e permite a observação de objetos próximos à estrela como planetas”.

Quanto à ciência do Planets, o astrônomo diz que se trata de um projeto de inovação. “Vai permitir testar tecnologias para que possamos construir telescópios maiores e mais baratos no futuro”. Marcelo Emílio explica que no telescópio a imagem é formada como em qualquer espelho. “A diferença está na qualidade do polimento e da geometria de telescópios profissionais. O exemplo que normalmente uso em minhas aulas é do telescópio Gemini. Se o espelho de 8 m do telescópio Gemini fosse do tamanho da área do Brasil, a maior montanha nessa escala seria de 6 mm. O erro no polimento dos espelhos profissionais é da ordem do comprimento da luz que é observada pelo espelho”.

Internacionalização e Exoplanetas

As instalações do Telescópio Planet estão sendo construídas na área do ‘Haleakala’, vulcão localizado em Maui (Havai). O cientista assinala que há outros telescópios na mesma montanha, como o DKIST (Daniel K. Inouye Solar Telescope), um telescópio de 4,24m de diâmetro para observação solar. “O Haleakala tem 3084 m de altitude. Telescópios são construídos em montanhas altas para minimizar efeitos da atmosfera terrestre. O Havaí é um grande centro da astronomia mundial”. Marcelo Emílio diz que as instituições envolvidas no projeto, atualmente, são a Kiepenheuer Institute for Solar Physics da Alemanha, a Universidade do Tohoku no Japão e a UEPG. Também registra que o projeto conta com o apoio do instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) e que há interesse da Universidade de Lyon (França) em juntar-se ao grupo.

Para Marcelo Emílio, a assinatura do acordo com a FP remete à internacionalização da pesquisa na UEPG. “Pesquisa na fronteira da ciência desenvolvida hoje em dia é um esforço de vários países. É o caso do projeto Genoma, da estação espacial Internacional, do grande colisor de Hádrons, e outras. Demonstra a maturidade que alcançou a pesquisa desenvolvida na instituição”. Da busca por exoplanetas, o professor salienta que se trata de um dos tópicos mais relevantes em ciência hoje em dia. “Nós queremos saber se há outros planetas como a Terra com oceanos e biosfera. Sabemos que a o Sol irá se transformar em ‘uma gigante vermelha’ no futuro e que não nos restará outra alternativa que procurar outro planeta para morar”.

O cientista ressalta que a pesquisa está apenas começando porque o primeiro exoplanteta foi descoberto há poucas décadas. “O fato de termos descoberto um planeta ao redor da estrela mais próxima ao Sol nos anima e indica que planetas são bastante comuns no Universo. Sabemos que estão lá. Precisamos agora encontrá-los. Recentemente a UEPG liderou a primeira equipe composta inteiramente de brasileiros a encontrar um exoplaneta. O fato demonstra o conhecimento, a competência e a experiência em continuar fazendo pesquisa em nossa instituição”.

Organização Planets

Destacando o início de atividades com a presença de um pequeno grupo internacional de cientistas acadêmicos, a organização Planets, hoje, inclui membros do Canadá, França, Alemanha, Japão, México e Estados Unidos. Até agora aplicou US$ 2,5 milhões em direção a completar o telescópio Planets, o maior telescópio fora do eixo do mundo (1,85 m) para astrofísica noturna e ciência planetária. O espelho do telescópio Planets é polido a 90% e os projetos mecânicos para seus componentes estruturais e fora de eixo incomuns estão sendo construídos.

Trata-se do primeiro instrumento de demonstração em um caminho para o Exolife Finder (ELF) e os Telescópios Colossus. Estes instrumentos ópticos são poderosos o suficiente para revelar continentes em Proxima B e, finalmente, as assinaturas de calor da vida avançada em várias centenas de exoplanetas. Em projeto, o ELF será o primeiro telescópio do mundo a criar mapas de superfície dos exoplanetas próximos. Destacado como o maior telescópio óptico e infravermelho do mundo, o Colossus Telescope projeta-se para detectar a vida extrasolar e as civilizações extraterrestres.

A missão da Fundação Planets é defender e acelerar estudos exorbitantes, ao mesmo tempo em que envolve membros públicos e cientistas – e cidadãos interessados. Professores, astrofísicos, engenheiros, empresários e cientistas de sete países formam a Fundação Planets. Os integrantes da FP registram contribuições fundamentais para alguns telescópios mais avançados que se encontram em construção, a exemplo do Telescópio Gigante Magalhães no Chile e do Telescópio Daniel K. Inouye em Haleakala. A Fundação Planets empenha-se na procura de vida além do sistema solar e, para tanto, envolve pesquisadores da área na utilização colaborativa das instalações FP e do Telescópio Planets. (fonte: www.planets.life).

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