Sexta-feira, 22 de junho de 2018

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13/03/2018 - 15h54 / Atualizada 19/03/2018 - 18h11



UEPG tem projeto para Centro Vocacional Tecnológico


Com coordenação do professor Carlos Hugo Rocha, do Departamento de Ciências do Solo e Engenharia Agrícola, o projeto visa a implantação do Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia e Produção Orgânica do Lama


por Marilia Woiciechowski

A implantação do Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia e Produção Orgânica do Laboratório de Mecanização Agrícola (Lama), na UEPG, apresenta-se como objetivo central da proposta do projeto de extensão do professor Carlos Hugo Rocha, do Departamento de Ciências do Solo e Engenharia Agrícola. Na coordenação do projeto, o professor destaca as linhas da iniciativa como uma experiência inovadora no âmbito do Lama, considerando-se as estratégias de pesquisa-ação voltadas para a agricultura de base familiar e integração transdisciplinar do conhecimento e o desenvolvimento da agroecologia. Carlos Hugo ressalta que o Centro vai fortalecer a rede existente entre instituições de ensino agrário de nível superior e médio, de pesquisa, ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural), prefeituras municipais, agricultores de base familiar e suas entidades de organização.

O coordenador considera no projeto a importância do Lama que, desde 1996, desenvolve estratégia de ação fundamentada na integração das atividades de ensino, pesquisa e extensão, voltadas para promoção do desenvolvimento rural regional com base sustentável. A importância do projeto vincula-se ao crescente debate em direção à formulação de políticas públicas adequadas à agricultura de base familiar. Neste aspecto, o professor Carlos Hugo frisa o papel fundamental das universidades públicas para a promoção de alternativas agroecológicas que possam integrar, no âmbito das comunidades rurais, serviços de extensão, pesquisa participativa e o ensino técnico-acadêmico em ciências agrárias aplicado ao manejo sustentável dos recursos da paisagem.

Municípios e Paisagem

Com a implantação do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) pretende-se promover ações integradas de ensino, pesquisa e extensão para a construção de conhecimento e técnicas relacionadas a sistemas agroecológicos de produção, certificação de produtos orgânicos e formação de cadeias curtas de comercialização na região da Floresta com Araucária do Paraná, segundo o coordenador. Também se considera a formação de Conselho Gestor do CRV com a participação dos coordenadores do Núcleo de Estudos Ambientais (NEAS) – e de representantes das comunidades de grupos de agricultores. Os municípios beneficiados são Lapa, Guarapuava, São Mateus do Sul, Telêmaco Borba, Reserva, Cândido de Abreu, Bituruna, Cruz Machado, São João do Triunfo, Palmeira, Sapopema, Ortigueira, Imbaú, Tibagi, Figueira, Curiúva, Rio Azul, Cerro Azul, Pinhão, União da Vitória, Ipiranga, Imbituva, Antônio Olinto.

A coordenação explica que a previsão é do desenvolvimento do projeto ao longo de dois anos. Com longa experiência na coordenação de projetos com foco em estratégias de desenvolvimento rural sustentável e conservação da natureza, Carlos Hugo considera o significado da paisagem rural regional de ação do Lama, NEAs e instituições de ensino médio parceiros da proposta. “A paisagem é caracterizada pelo mosaico formado por sistemas intensivos de produção agropecuária e florestal, desenvolvidos em médias e grandes propriedades, permeados por sistemas de base familiar em comunidades formadas por pequenas unidades rurais”. Os sistemas intensivos de produção, típicos da região dos Campos Gerais, estão entre os mais dinâmicos do país e apresentam índices elevados de produtividade para os cultivos principais - soja, milho, trigo e feijão, e de produção animal - aves e leite principalmente, segundo Carlos Hugo.

Integração de Ações

O objeto da proposta é a paisagem rural associada à agricultura de base familiar regional, que compreende áreas com solos de baixa aptidão agrícola, em função do relevo dissecado e dos solos pouco desenvolvidos, com baixa fertilidade natural e elevada acidez. Diante desse quadro, o coordenador pontua que, na área de atuação do Lama, destaca-se o trabalho com comunidades rurais que, talvez, sejam a última geração de agricultores de base familiar, caso não ocorram as condições necessárias para a geração de oportunidades de trabalho e renda no campo e a permanência dos mais jovens na propriedade de base familiar.

Evidencia-se, assim, como pontua o professor, a importância dos serviços de ATER diferenciada para esse público, herdeiros do patrimônio socioambiental representado pela agricultura familiar e do potencial dessas unidades para a segurança alimentar, proteção da agrobiodiversidade e produção de serviços ecossistêmicos. “A integração de ações de ensino, pesquisa e extensão para promoção de sistemas justos e sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos saudáveis, que aperfeiçoem as funções econômica, social e ambiental da agricultura e do extrativismo florestal, e que priorizem o apoio aos beneficiários da Lei nº 11.326, de 2006, é a referência central da proposta de criação do CVT”.

Resultados Esperados

Os resultados esperados com a implantação do CVT sinalizam para prover serviços de ATER para 300 unidades rurais de base familiar com certificação orgânica e certificação de 200 novas unidades, e para as experiências de cadeias curtas de produtos orgânicos já existentes em seis municípios, a criação de quatro novas experiências e a formação de técnicos, agricultores e jovens rurais na condução dos programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar); e apoiar a criação de NEA no Instituto Federal do Paraná, Campus Telêmaco Borba e em 05 escolas de ensino agrário de nível médio: Colégio Agrícola de Palmeira; Casa Familiar Rural de São Mateus do Sul, Cândido de Abreu, Pinhão e Sapopema.

Espera-se, também, organizar curso de formação modular em Agroecologia (160 horas) para 25 professores da rede de ensino rural de nível médio, oriundos de 08 casas familiares rurais e 04 escolas rurais, e curso de formação modular em Homeopatia Aplicada à Agroecologia (174 horas) para agricultores familiares, técnicos dos serviços de ATER e estudantes. Outros pontos de atenção são apoiar a manutenção de 08 Unidades de Referência (UR) já implantadas em unidades rurais de base familiar e implantar 04 novas unidades; e promover ações de ATER e diálogo de saberes nas UR, através de intercâmbios agroecológicos, visitas técnicas (16) e dias de campo (08) para agricultores de base familiar (1.000).

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