Terça-feira, 22 de maio de 2018

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15/05/2018 - 14h23 / Atualizada 16/05/2018 - 08h33



UEPG inicia Semana de Enfrentamento às Violências


A Semana de Enfrentamento a Violência contra Crianças e Adolescentes proporciona espaços de debate e reflexão sobre os principais desafios e possibilidades de trabalho de enfretamento das diversas formas de violência


por Marilia Woiciechowski

O debate acerca das diversas formas de violência e violação de direitos presentes no âmbito da infância e adolescência ganha importantes espaços na luta para se obter maior abrangência e alcance das ações preventivas e de mobilização social na programação da terceira edição da Semana de Enfrentamento a Violência contra Crianças e Adolescentes, que iniciou, nesta terça-feira (15), estendendo-se até 18 de maio (sexta-feira). Com a presença de profissionais da área de educação, assistência social, saúde, representantes de instituições que tratam do tema e de órgãos que representam a Rede de Proteção dos Municípios da Região dos Campos Gerais, e comunidade em geral, os temas da semana serão apresentados e debatidos no Auditório do Campus Central da UEPG (Praça Santos Andrade, 1), em oficinas e em mobilizações.

A semana ocorre no âmbito do projeto de extensão Tecendo as Redes de Proteção as Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência da UEPG. A professora do curso de Serviço Social da UEPG e coordenadora do evento, Cleide Lavoratti, cumprimentou os profissionais e futuros profissionais da área porque a semana iniciava no Dia do Assistente Social (15 de Maio). “É uma profissão de fundamental importância na luta contra as violações de direitos”, disse a coordenadora, acrescentando que “se destaca na garantia dos direitos humanos das populações vulneráveis, em especial das crianças e adolescentes”.

Quando tratou dos enfrentamentos à violência, a professora pontuou a sua história na UEPG. Ela conta que, desde 2001, apenas 1 ano após a instituição pelo Governo Federal do Dia de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a UEPG já realizava o 18 de maio. “Esse evento é um marco na história de enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes em Ponta Grossa”. A coordenadora ressalta que, a cada ano, o evento agrega novos parceiros e busca fortalecer o diálogo entre as instituições de atendimento na área em Ponta Grossa e na Região dos Campos Gerais.

Importância e Atenção

A Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Culturais, Marilisa do Rocio Oliveira, agradeceu a todos que participam da organização da semana que, segundo ela, se constitui em importante oportunidade para se discutir sobre as ações e projetos desenvolvidos sobre o tema do evento. “É uma semana importante para a UEPG, para as entidades envolvidas e os participantes que se aproximam de assuntos que contribuem para amenizar e modificar o quadro do enfrentamento à violência em suas diversas faces”. A Pró-Reitor acentua o momento em que as crianças e adolescentes vivem em meio a atrativos e abundância de informações do mundo tecnológico.

Trata-se de um cenário que, segundo ela, também traz alguns apelos que exigem atenção. A professora ainda observa que o enfretamento à violência sofre com a falta de recursos para o atendimento das ações e projetos que tratam da questão. Ainda ressalta a falta de políticas públicas que estejam próximas da proteção às crianças e adolescentes. “Nós precisamos de políticas que acompanhem as crianças desde o início de suas vidas, passando pela adolescência, dando direções de vida para que o cenário de enfrentamento à violência não fique cada vez mais difícil.

Prevenção e Proteção

A juíza da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Ponta Grossa, Noeli Salete Tavares Reback, acentua que as crianças e adolescentes são vítimas dos mais absurdos tipos de violência. Sobre essa situação também coloca que a sociedade atual por mais que busque combater esse tipo de violência não tem conseguido. Ainda lamenta que o Brasil tenha índices que o colocam entre aqueles que mais registram esse tipo de violência. A juíza frisa que os profissionais que atuam no dia a dia do enfrentamento à violência se deparam com situações tristes.

Para Noeli Reback, o enfrentamento à violência precisa, cada vez mais, de ações e espaços ricos em temas e debates que repercutam na sociedade. Também frisa que aqueles que lidam todos os dias com situações de violência precisam do apoio da sociedade por políticas públicas que contribuam para melhorar esse quadro. O importante, hoje, segundo a juíza é fazer avançar a ideia da prevenção e da proteção. Para ela, esse é o caminho para o enfretamento da violência.

Mesa Temática

O evento começou com a mesa temática “Socioeducação: uma abordagem internacional” coordenada por Larissa Angelica Copack Muniz, juíza de Direito Substituta na Comarca de Ponta Grossa; juíza coordnadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Ponta Grossa (CEJUSC/PG); e membro da Comissão Estadual de Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. A mesa também contou com a presença do huiz de Direito da Comarca de Toledo-Paraná; e das professoras doutoras Dircéia Moreira, do curso de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas (mestrado e doutorado) da UEPG.

A mesa também registrou a participação de Elisabeth Trejos Castilho, professora do Departamento de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, da Faculdade de Ciências Humanas, na Texas Tech University - TTU, Lubbock (Texas); e professora visitante da Pós-Graduação em Ciências Sociais da UEPG. Na mesa, ela abordou o tema “Estresse tóxico & o fenômeno multissistema: medidas protetivas e socioeducativas Brasil-Estados Unidos. A professora destaca que, nos Estados Unidos, em 2015, 650 mil crianças foram vítimas de algum tipo de violência ou negligência. No comparativo, diz que o Brasil registra taxas altas de violência contra crianças e adolescentes.

Fenômeno Mundial

Doutora em Desenvolvimento Humano e Estudos de Família, Elisabeth observa em sua fala que, em termos geográficos e contextuais os jovens americanos e brasileiros podem ter sido expostos a fatores únicos que determinaram o envolvimento no sistema de proteção infantil. A professora acentua que a violência contra crianças e adolescentes é um problema mundial. Na sua parte na mesa, ela tratou de pontos do tema crianças e adolescentes vulneráveis (abusados, negligenciados) que fazem parte do universo que precisa de proteção, mas que ainda não têm acesso a esse tipo de atenção; multissistema e estudo internacional.

A professora diz que se trata de crianças e adolescentes vítimas de problemas não resolvidos que depois afloram em situações que os colocam também como problemas para a sociedade. “Eles não estão nessa situação porque são difíceis, mas porque foram negligenciados. Não tiveram as ferramentas de vida necessárias para sua formação. Por isso, não sabem controlar sentimentos e emoções – e não conseguem, muitas vezes, conviver com outras pessoas”. Para Elizabeth, trata-se de questão multissocial, fenômeno mundial – e que convive hoje com adolescentes considerados problemas. Mas ela entende que tudo ter a ver com um ciclo vicioso que exige ações efetivas para tratar da questão e proporcionar um melhor mundo para as crianças e adolescentes.

Outros Grupos e Documentário

A realização da semana é resultado de uma grande parceria que envolve mais de 20 instituições da Rede de Proteção e projetos de extensão da UEPG que tratam da temática do combate à violência. A programação do evento, em 2018, vai debater os desafios postos ao enfretamento das diversas formas de violência contra a população infanto-juvenil seja através da aplicação efetiva das medidas de proteção, seja no debate voltado à socioeducação. Também vai discutir a violência contra outros grupos sociais, como as mulheres, idosos, indígenas, população LGBT e pessoas com transtorno mental.

Para Cleide Lavoratti, a preocupação com esses outros grupos tem a ver com fato de se tratar de populações que também vivenciam situações de violência, muitas vezes na mesma família onde estão as crianças e adolescentes. O que se quer é ampliar o olhar sobre as diversas expressões da violência na sociedade. A semana registra, ainda, momentos voltados para a mobilização e orientação da sociedade em geral. A semana prossegue, na quarta-feira (16 de maio), com as reflexões sobre a violência no cotidiano de crianças e adolescentes, em uma mesa que vai lançar oficialmente um documentário elaborado pelo jornalista Douglas Moreira e pela assistente social Maria Czkauski.

O documentário teve produção, a partir de um caso extremo de violência de direitos de uma família do município de Ponta Grossa. A professora Cleide diz que o debate em torno do caso retratado no documentário vai ajudar na reflexão sobre a linha tênue que divide a proteção da violação de direitos das famílias, em situação de vulnerabilidades sociais. Na parte da tarde da quarta-feira, o evento registra a realização de seis minicursos que vão abordar a violência contra diferentes grupos sociais. Os minicursos têm realização por equipes dos projetos de extensão: Núcleo de Estudos, Pesquisas, Extensão e Assessoria sobre Infância e Adolescência (Nepia), Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (NEDDIJ), Núcleo Maria da Penha (Numape), Nasjepi, Grupo de Estudos Territoriais (Gete), além do CAPS, e da Fudanção Nacional do Índio (Funai).

Panfletagem e Abordagem Educativa

Para os dias 17 e 18 (quinta e sexta-feira), a semana desenvolve atividades que têm por objetivo levar as discussões sobre o tema também para a comunidade ponta-grossense. Na quinta-feira, o evento faz panfletagem na Avenida Vicente Machado e Benjamin Constante, próximo ao Terminal Central, das 11h30 às 13h30. A ação vai divulgar os tipos de violência e os canais de denúncia nacional, estadual e os números dos CTs (Conselho Tutelar) de Ponta Grossa, com as divisões da área de abrangência de cada conselho.

A semana encerra na sexta-feira com a atividade (manhã) de abordagem educativa aos motoristas na Praça de Pedágios de Furnas. Outra mobilização ocorre, a partir das 13h30, no Parque Ambiental com a presença das instituições da Rede de Proteção e dos projetos de extensão que abordam a temática. Também registra apresentações culturais, quando cada instituição participante poderá divulgar para a população os objetivos de cada uma e como tratam o enfrentamento às violências, quais os critérios de atendimentos, entre outras informações.

Campus Uvaranas - Av. General Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - GPS: 25°5'23"S 50°6'23"W
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