Domingo, 18 de novembro de 2018

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13/09/2018 - 21h20 / Atualizada 14/09/2018 - 09h16



Comissão da CUIA se reúne para tratar do Vestibular Indígena


Trata-se de reunião dos membros da Comissão Universidade para os Índios para a homologação das inscrições do XVIII Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, que, em 2018, é organizado pela UEPG


por Marilia Woiciechowski

Os membros da Comissão Universidade para os Índios (CUIA) estiveram reunidos, nesta quinta-feira (13 de setembro), no Auditório do Nutead (Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta a Distância), para tratar da homologação das inscrições do XVIII Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, que, em 2018, é realizado pela UEPG, respeitando o sistema de rodízio entre as Universidades Estaduais Paranaenses (IEES) envolvidas no  processo seletivo. A edição deste ano do vestibular será realizada no Complexo do Centro de Eventos de Faxinal do Céu – Copel Get, situado no município de Pinhão Paraná. As provas serão aplicadas nos dias 21 e 22 de outubro de 2018.

 A promoção do acesso dos indígenas aos cursos de graduação superior ocorre em ação conjunta da UEPG com as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Oeste do Paraná (Unioeste), Norte do Paraná (UENP), Paraná (Unespar),  do Centro-Oeste (Unicentro); e com a parceira da UFPR (Universidade Federal do Paraná). O vestibular tem a oferta de seis vagas suplementares em cada uma das universidades estaduais; e dez vagas suplementares na UFPR. A organização do vestibular é coordenada pela Comissão Universidade para os Índios (CUIA). Sobre a reunião, Juliane Angnes, integrante da Comissão Universitária Indígena, explica que é para a homologação das inscrições do vestibular.

Homologação das Inscrições

 Mestre em Letras - Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), linha de Cognição, Desenvolvimento Humano e Aprendizagem, Juliane observa que, no caso das sete universidades estaduais, cada uma tem a oferta de seis vagas, somando 42 vagas. Ela frisa que UFPR, que trata como co-irmã, na parceira oferta 10 vagas para etnias do Brasil. Para exemplificar, ela diz que se ocorrer a presença de uma candidato do Mato Grosso, ele só pode concorrer pela Universidade Federal do Paraná.

Ainda acerca da reunião, ela diz que “nós recebemos todas as inscrições do Brasil e do Paraná. Então, cada universidade estadual se responsabiliza por uma área geográfica em atendimento interno indígena para todas as inscrições. Ou seja, a comissão se reúne e faz toda a conferência para homologar as inscrições, a participação dos estudantes no vestibular. Para homologar as inscrições, como assinala, as universidades estaduais recebem uma carta de anuência do cacique, atestando que o estudante é indígena - e proveniente de uma etnia do Paraná. Angnes relata que a reunião destaca dois momentos. No primeiro, junto com a CUIA Estadual, os presentes fazem toda a conferência da documentação para ver se atende a todos os requisitos do edital do vestibular.

 Posteriormente, se houver pendências, os integrantes fazem o que chamam de uma comissão  interétnica , composta por quatro lideranças indígenas do Paraná, por um representante da Funai e um da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), dois da CUIA Estadual, e um representante da comissão organizadora do ano, no caso a UEPG. “Eles vão responder a essas pendências. “De repente, um aluno não tem carta do cacique, e não tem anuência da Funai. Há toda uma discussão para que o aparato jurídico seja atendido e todos os candidatos possam se inscrever e fazer o vestibular”.

Inscritos e Vestibular

 Quanto ao papel da UEPG na edição do Vestibular Indígena 2018, ela destaca a responsabilidade da organização de todo o processo logístico, hospedagem, provas, enfim, todo o trâmite do vestibular. São cerca de 850 inscritos este ano, que concorrem a 52 vagas, como informa. “Os seis primeiros colocados, que se inscreveram para determinada universidade, escolhem, posteriormente o curso, e no dia da matrícula informam o qual devem cursar. A diferença está nos cursos da área de saúde”. Neste aspecto, Juliane assinala que em medicina, principalmente, existem vagas regulamentadas. “Não podemos matricular, por exemplo, na Unicentro, os seis na medicina. É só o primeiro colocado porque, na universidade, nós temos só uma vaga/ano. Não são cotas, são vagas regulamentadas”.

Do ponto de vista pedagógico, Juliane observa o caráter diferenciado do vestibular. Cita que a principal diferença reside na prova oral. “É realizada uma prova de banca oral para arguir o candidato para ver se ele tem condições de transitar na língua portuguesa. A maioria das etnias paranaenses fala Kaingang ou Guarani. Eles são fluentes no primeiro idioma. Mas, para ingressar na universidade o pré-requisito é o domínio da língua portuguesa”. Então, como esclarece, no primeiro dia eles passam pela banca da prova oral; e no segundo fazem as provas normais, Química, Biologia, conteúdos do segundo grau, redação, enfim, como no vestibular tradicional. “Nós, no vestibular, trabalhamos com a questão do acesso na universidade, mas já pensando na permanência do aluno no curso”. Para a questão da permanência, Juliane diz que há vários projetos na CUIA Estadual. Ela pontua que nas CUIAS locais os projetos atendem às especificidades de cada universidade porque as regiões são diferentes.

Margem de Segurança

A presidente do XVIII Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná, Cleunice Castorina de Souza, refere-se à reunião como um momento para verificar se as inscrições respondem a todas as exigências para o candidato concorrer às vagas do vestibular. “Nós temos uma margem de segurança porque os professores que integram a CUIA conhecem o espaço indígena, e a aldeia de cada etnia do Paraná. Eles já estão ligados às questões indígenas, conhecem os caciques”. Cleunice conta que os representantes das universidades estaduais participam de reuniões com o cacique, quando visitam a aldeia para pegar as inscrições. “As reuniões ocorrem nas escolas da aldeia. Então, eles estão familiarizados com as questões indígenas e essa relação nos passa segurança”. Cleunice registra que, no Paraná, habitam atualmente três etnias indígenas: Kaingang, Guarani e Xetá.

Também cita que, segundo dados de 2002, do governo estadual, as populações indígenas do estado vivem em 37 Terras Indígenas. Nesse rol, segundo explica, há terras regularizadas, homologadas e em processo de demarcação, nas quais habitam uma população de 15.552 pessoas. A presidente do Vestibular observa que a inserção de indígenas que residem no Paraná, sobretudo Kaingang e Guarani nas universidades públicas paranaenses ocorre desde 2012.

Ela ainda ressalta que, como o número de inscritos vem aumentado e considerando as dificuldades de organização da logística de transporte, alimentação e hospedagem dos candidatos que, em 2017, foi de 754 inscritos, a CUIA da UEM, que organizou o vestibular daquele ano, sugeriu a CUIA Estadual, que as provas do vestibular fossem realizadas no Complexo do Centro de Eventos do Faxinal do Céu – Copel Get. “A sugestão foi acatada porque o espaço reúne e oferece todas as condições para a realização do Vestibular Indígena, no que se refere ao deslocamento dos candidatos indígenas, ao acolhimento, hospedagem, alimentação e realização das provas”.

Caciques e o Vestibular

O cacique de Manguerinha da etnia Kaingang, João Santos (60 anos), destaca o que representa o Vestibular Indígena para a comunidade e para os jovens da aldeia. “Para nós, caciques, é importante porque queremos ver os índios se preparando cada vez mais para o futuro. Nós já temos índios formados como professores, pedagogos. Em todas as universidades nós temos índios e sempre estamos dando a força”. João diz que chegou até aqui, referindo-se à reunião, porque quer ver as crianças da etnia também nas universidades. “É para que nossas crianças vejam que, nós caciques, se dedicamos por elas. Hoje, para nós, é importante não deixar a nossa cultura. Mas elas também precisam ter um ensino porque, hoje, de repente nós temos que competir com os não índios”.

João Santos diz que esse incentivo é porque os antepassados da etnia não tiveram essa condição de estudar. “Hoje, os governos, apesar de serem precários os atendimentos, eles ajudam os índios. As universidades também correm atrás de projetos para a educação indígena. Eu agradeço todas as universidades que têm índios nossos estudando. Eles estão espalhados por todas as universidades. Estão nas universidades, graças a Deus! Em mangueirinha, nós temos duas etnias, Kaingang e Guarani. Nós trabalhamos juntos, se ajudamos para atender nossas comunidades”. O cacique também agradece por encontrar as universidades nas comunidades indígenas. “Temos que agradecer porque vocês ajudam os indígenas, os caciques e as lideranças da comunidade”.

Para o cacique da etnia Guarani, José de Quadros (61 anos), o vestibular também é importante para os jovens. “A gente tem que cultivar isso dentro da comunidade indígena. Eles são jovens e a gente fica feliz de ver eles na universidade. Eu também estou feliz de estar aqui nesse encontro. O cacique registra em fala baixa e sensível que esse é o seu papel. Incentivar as crianças e os jovens da etnia a estudar, e chegar até nas universidades. “Eu estou onde os estudantes índios estão passando. Eu e o João estamos aqui na universidade. É para incentivar os jovens índios das etnias”. O cacique também agradece o trabalho que as universidades fazem, enfatizando: “Nós, juntos agradecemos”.

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