Sábado, 31 de outubro de 2020

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04/09/2015 - 18h08 / Atualizada 04/09/2015 - 18h37



Homenagem a “Nonô Pereira” emociona UEPG


Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, reitor da UEPG, procedeu a entrega da Medalha do Mérito Universitário e do diploma em homenagem ao pioneiro do plantio direto e incentivador do curso de agronomia da instituição


por Marilia Woiciechowski

A comunidade universitária da UEPG prestou, nesta sexta-feira (04), homenagem a Manoel Henrique Pereira, pioneiro do plantio direto nos Campos Gerais em solenidade realizada em sessão solene extraordinária do Conselho Universitário, às 14h30, no Auditório do Observatório Astronômico, no Campus de Uvaranas. Com a implantação e difusão do sistema do plantio direto, “Nonô Pereira” destacou o nome da UEPG e da região mundialmente. O momento da homenagem define-se como de reconhecimento do curso de Agronomia, através do Setor de Ciências Agrárias e de Tecnologia, a “Nonô Pereira” um dos pilares para a fundação do curso que completa 31 anos em 2015 – e também do incentivo para a implantação da disciplina “Plantio Direto na Palha”, introduzida, em 1984, na grade curricular do curso.

Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, reitor da UEPG, procedeu a entrega da Medalha do Mérito Universitário e do diploma ao homenageado. Na oportunidade, enfatizou o momento como de reconhecimento aos serviços prestados por “Nonô Pereira” em anos de trabalho junto ao setor agrícola. “A universidade, hoje, agradece ao empenho e carinho do pioneiro do plantio direto voltado às atividades do setor agrícola da região e do curso de Agronomia da UEPG”. O Reitor enfatizou a gratidão da comunidade da universidade a “Nonô Pereira” pela tecnologia que trouxe bem-estar ao meio ambiente, à produtividade da região e ao setor agrícola.

Super-Herói

Manoel Henrique Pereira manifestou a emoção pela homenagem, dizendo “Sou filho de um agrônomo e fiz da área uma profissão que será a manutenção da existência e da vida. Dentro dela se encaixa o alimento de formas diversas para garantir a sobrevivência desse trabalho e a existência humana”. Também agradeceu à UEPG pelo sucesso que vem obtendo em seu empenho na divulgação do sistema de plantio direto. Destacou a Universidade, observando: “É uma bandeira que enche de orgulho nossa região”. Agradeceu aos amigos agricultores, companheiros de campo, cooperativas, professores e alunos de Agronomia.

Ao registrar que, em encontro com o então reitor Daniel Albach Tavares, antecipou os benefícios e os resultados que a instituição teria com a implantação do curso de Agronomia, recorda que Tavares disse: “Se tudo que vocês estão dizendo pode acontecer, sou a favor da instalação do curso na UEPG”. Quando trata do plantio direto, diz com satisfação que o sistema ajudou a quase extinguir (falta pouco) a erosão que coloca como o cancro da terra e que tantos prejuízos acarreta à agricultura. Agradeceu aos entusiastas do sistema do plantio direto que saiu da região para o Brasil e se encontrou com o mundo.

Na homenagem em reconhecimento a vida dedicada pelo pai ao setor agrícola, a professora Stella Kossatz Pereira, chefe do Departamento de Odontologia, enalteceu a presença profissional de “Nonô Pereira”. Recorda que, quando criança imaginava o pai como um super-herói. “Hoje tenho certeza que ele é um super-herói”. Salientou, em seu pronunciamento, o trabalho incansável dedicado pelo pai à agricultura como pesquisador e autodidata. A professora registrou que os resultados da tecnologia do plantio direto estão marcados no dinamismo de “Nonô Pereira” que no seu laboratório de pesquisa, a terra, obteve reconhecimento do mundo.

Homenagem da FEBRAPDP

O professor e pesquisador João Carlos de Moraes Sá, do Departamento de Agronomia da UEPG, registrou a homenagem da Federação Brasileira de Plantio Direto ao fundador da FEBRAPDP. O documento lido pelo professor marca que a agricultura brasileira ao longo das últimas décadas, incorporou as técnicas conservacionistas e rentáveis para os agricultores que perceberam o valor dos seus solos e assim passaram a preservá-los.

Na sequencia, assinala que tudo começou na década de 1970 no Paraná, em uma saga vivida pelos três pioneiros do plantio direto, que notaram a necessidade de conservar as suas lavouras das erosões para mantê-las produtivas, e assim garantir não apenas o seu sustento, mas também a alimentação da população do país. “No respeito à natureza e na responsabilidade com o abastecimento de alimentos, os agricultores uniram-se em Clubes de Amigos da Terra para discutir e implementar as melhores práticas de conservação dos solos e da produção agrícola”.

O documento enaltece o trabalho e o esforço dedicados pelo agricultor Manoel Henrique Pereira ao lado dos seus companheiros conservacionistas, Herbert Bartz e Franke Dijkstra, que serviram para disseminar o plantio direto nas lavouras do Brasil. Ressalta que, hoje, um dos frutos do trabalho de Nonô Pereira, a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação é uma entidade de reconhecimento internacional em plantio direto, cada vez mais atuante em servir à população com conhecimento e defesa das melhores práticas nas lavouras.

Preservar o Solo

“Falar sobre o Nonô Pereira é como falar da história do plantio direto no Brasil”, disse o professor João Carlos, lembrando que conheceu Nonô, em 1979, ainda como estudante de agronomia, em uma reunião do Clube da Minhoca. Naquela época, fazia estágio na Cooperativa Central de Laticínios do Paraná. “Lá assisti o Nonô explicar porque o preparo do solo causava erosão e porque tínhamos que mudar para um sistema de manejo que preservasse o solo para as futuras gerações. João Carlos frisa que também se impressionou com a apresentação do professor Américo Meinicke, que usando papel milimetrado, encheu uma parede com gráficos mostrando a importância da palha na redução da temperatura da superfície do solo.

Quando ingressou na UEPG, João Carlor percebeu o carinho que Nonô tinha pelo curso de Agronomia e que era incansável em divulgar que se tratava do primeiro curso do Brasil e do mundo a incluir em sua grade curricular a disciplina de plantio direto. “Ele dizia que somente com conhecimento técnico e científico iríamos avançar com esse sistema. Abraçou nosso curso abrindo as portas de sua fazenda para inúmeras visitas e aulas práticas”.

João Carlos observa que essa preocupação com o plantio direto iniciou com professor Américo e que, depois, deu sequencia a esse trabalho. Ressaltou que quase todas as turmas de Agronomia estiveram em visitas à Fazenda Agripastos, em Palmeira (PR), de propriedade de Nonô Pereira. No local, sempre começavam a visita pelo museu que guarda a história do plantio direto. “Neste momento, Nonô plantava essa semente em cada um dos alunos. Ele dizia que os estudantes seriam os veículos para disseminar esse conhecimento mundo afora”. João Carlos registra que, com Nonô, ele e os alunos do curso aprenderam a lição da importância de cuidar do solo pensando no bem-estar das minhocas e não apenas de nós mesmos, e que dessa forma nunca faltará água e pão.

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