Domingo, 24 de março de 2019

« voltar

02/12/2015 - 12h17 / Atualizada 02/12/2015 - 12h30



Vampiros têm investigações em Sombras e Sangue


O livro “Sombras e Sangue”, da professora Maytê Regina Vieira, do Departamento de História da UEPG, traz as investigações de Don Calmet, padre francês que tratou das aparições de vampiros na história e na Europa no século XVIII


por Marilia Woiciechowski

O fascínio que acompanha os vampiros traduzidos na literatura, cinema, quadrinhos e em outros caminhos que a imaginação alcança encontra-se em “Sombras e Sangue: as investigações de Don Calmet sobre aparições de vampiros na história e na Europa do século 18” (Editora Estúdio Texto), livro de Maytê Regina Vieira, que tem solenidade de lançamento em 03 de dezembro de 2015, às 19h30, na Livrarias Curitiba do Shopping Palladium (Rua Ermelino Leão, 703). Professora do Departamento de História na UEPG, Maytê registra que os vampiros sempre fizeram parte do imaginário das pessoas e se encontram em todas as produções humanas desde a Antiguidade, mas acentua que ao longo do tempo, principalmente a partir dos romances escritos nos séculos XVIII e XIX sua imagem mudou muito.

A professora mestre em História pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) explica que a fusão entre registros históricos, lendas e literatura nos deu os elementos do vampiro que conhecemos hoje. “As lentas transformações da literatura levaram o ‘vilão monstruoso’ a tornar-se quase um príncipe encantado”. Com interesse de pesquisa sempre voltado ao entendimento do imaginário acerca dos vampiros, Maytê relata que sua investigação começa na dissertação que deu origem ao vampiro literário e o estranho surto de vampirismo ocorrido na Europa Iluminista, quando os mesmos homens que queriam destruir as superstições acabaram por tornar o vampiro imortal e mundialmente conhecido.

Entre leituras que traduzem “esses monstros da literatura e do cinema que estão sempre em evidência”, como assinala, a autora pergunta-se: “Por que eles nos fascinam tanto? Por que fazem tanto sucesso e estão constantemente sendo reinventados e atualizados?”.  Para a autora, o medo, o pavor que os vampiros causavam em nossos antepassados foram atenuados até quase deixarem de existir por sua familiaridade atual. Mas recorda, que os vampiros menos assustadores de hoje, foram designados anteriormente por vários nomes dependendo da cultura local. A professora observa que, em geral, eram chamados de defuntos, fantasmas, espectros, mortos ressuscitados ou encarnações de demônios diversos, inclusive lobisomens que se transformavam em vampiros após sua morte - este era o nome dado a todos.  

Misteriosos e Ambíguos

“Eles são muito antigos, existem desde sempre”, diz Maytê. A autora cita que a partir dos séculos XVII e XVIII, a Europa Iluminista assiste uma proliferação de relatos sobre vampiros. Trata-se de relatos no âmbito do iluminismo que, como a professora pontua, busca o entendimento do mundo de forma racional e o afastamento de tudo que se configure superstição e evoque o sobrenatural. Maytê esclarece que, somente em 1732, a palavra “vampiro” surge no vocabulário para determinar o ser que se conhece, hoje, e que são como frisa, “definitivamente separados dos lobisomens e de outros espectros”. A autora ressalta que as imagens mentais que a palavra “vampiro” evoca são o que torna possível seu estado histórico através da abordagem pela história do imaginário.

A professora Maytê frisa que o encontro com essas imagens mentais sobre vampiro se encontra na análise que faz do livro de Dom Calmet, Traité sur lês apparitions des esprits et surles vampires ou lês revenans de Hongrie, Moravie, publicado em 1751, quando a questão do vampirismo tenta ser compreendida, pela primeira vez, à luz da ciência. “Espero que as pessoas ao lerem este livro possam conhecer um pouco mais desses seres tão misteriosos e ambíguos”. O livro “Sombras e Sangue”, que integra a Série Referência da Editora Estúdio Texto, teve leitura do professor André Bueno da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que classifica o trabalho de Maitê como gratificante. Ele destaca a descoberta, na leitura, de Don Calmet, padre francês que foi o primeiro pesquisador sobre vampirismo no século XVIII – e que escreveu um tratado que seria a base de toda a literatura vampiresca do século XIX em diante.

 

Campus Uvaranas - Av. General Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - GPS: 25°5'23"S 50°6'23"W
Campus Central - Praça Santos Andrade, 1 - GPS: 25°5'11"S 50°9'39"W
Fone: (42) 3220-3000 / 3220-3300 - Ponta Grossa - Paraná
Copyright © 1996-2019 - Núcleo de Tecnologia de Informação - UEPG